Por mais que me sinta seduzida a fazer novas coisas, com novas pessoas, simplesmente não consigo sair do lugar. Ando sem paciência pro novo, pro desconhecido. A gente tem a mania de se aconchegar no travesseiro velho, no edredom surrado, de comer sempre o mesmo prato, de ir aos mesmos lugares... Por mais que a gente sinta vontade de mudar, dá preguiça. A gente sempre tem medo de alterar a rotina e dar alguma coisa errada. Reclamamos de fazer sempre a mesma coisa, todos os dias... Mas será que no fundo, não amamos a rotina? O certo? O fixo? Afinal, o duvidoso, É UMA DÚVIDA! Se for ruim, a quem você vai culpar? Sim, porque é a primeira coisa que fazemos. Descobri outro dia, que tenho medo de ser feliz! Acreditem, MEDO DE SER FELIZ! Só me encontro na minha confusão mental. Acho que ela é a responsável pelo meu respirar. Preciso da minha infelicidade diária por, pelo menos, 30 minutos. É louco, mas funciona assim... Se pudesse escolher uma cena pra minha vida, estaria sentada de frente para o computador, com um copo de Whisky e um cigarro... Uma música bem suave, um ar balzaquiano e mais nada... Sem ninguém... Paredes coloridas, objetos antigos e um gato ou cachorro pra cuidar! Mesmo querendo casar com um "Marcelo", ter uma "Laurinha", uma casa clássica com um belo jardim e todos em volta da mesa, no Natal... Me sinto atraída pela solidão da madrugada. Não me importo, freneticamente, se não tiver companhia para o teatro ou cinema. Tá, não pensem que sou uma neurótica que quer viver sozinha para o resto da vida. Não é isso... Acho que essa cena que descrevi lá em cima, representa muito o meu eu. Quero ter alguém ao lado, compartilhar desejos, amor, sexo, sonhos, drinks e o que mais nos apetecer! Mas sinto que ainda assim, preciso da minha solidão, da minha liberdade de ficar calada, de me sentir livre de julgamentos e rótulos. Preciso ter a liberdade de ter o meu mau humor matinal. Preciso pensar por horas, sem que ninguém me interrompa e queira invadir meu mundo. Gosto de convidar! Gosto de quem entra de mansinho e conhece o que escondo tão bem. Quero ter alguém ao lado que entenda que, por vezes, gosto do estrago, do exagero, do grito, do silêncio, da falta de nexo. Alguém que entenda que hoje eu quero vinho e amanhã eu quero água! Eu gosto do exagero. Do muito e do pouco. Do 8, 80 e 8000. Quero ter alguém que entenda que eu mudo de opinião se a antiga não me preenche mais. Eu mudo, eu mordo, eu assopro. Eu amo e odeio. Mas serei sempre leal! Será que alguém vai querer me acompanhar nessa? Se não quiserem, volto à ela... À cena do Whisky, computador, cigarro e cachorro... Nascemos só e assim morreremos! Nesse intervalo, estou aberta à companhias... E nesse emaranhado de idéias sem validade, sigo, prossigo, com amigos, inimigos, amores e rancores! Ah Ser imperfeito... Quer casar comigo?